beber para esquecer

quinta-feira, setembro 15, 2005

Dormir em paz (já não se pode)



O copo estava meio cheio. Ou meio vazio, dependendo do vosso estado de espírito. Mas quem narra aqui sou eu, portanto, estava meio cheio. Apenas um nectar de maçã para acompanhar o pastel de nata que já havia terminado. Já há muito que não me levantava tão cedo e não evitei pousar a cabeça no balcão. Mesmo antes de desligar o último sentido pude ouvir a notícia do lançamento do Astérix em Mirandês. E fiquei a sós com um pequeno cão branco que me puxava pela bainha das calças. Gau, gau... Olhei para baixo e lá estava ele. Apesar de ladrar em Mirandês não era o Ideiafix, mas era parecido. Expliquei-lhe que tinha de acordar e ir trabalhar rapidamente. Talvez com um pouco de poção mágica conseguisse... Um café bastaria. Ele disse-me que não se drogava com poções. Café, apenas quando o dono deixa cair umas pingas no chão. Mandou-me "trabalhar malandro". Mas eu não o ouvi. Ou não o entendi. Nos desenhos animados as pessoas nunca entendem os cães que falam, dizendo quase sempre coisas acertadas. Ao longe comecei a escutar uma banda a tocar a Badinerie de Bach. A música aproximava-se e tornava-se cada vez mais aguda e irritante. Começava a misturar-se com um burburinho de fundo que não perturbava. Senti a mão do dono do cão no meu ombro: "O seu telemóvel está a tocar!". O patrão já a passar-se! Larguei umas moedas e corri porta fora deixando para trás o copo de sumo meio vazio.

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